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Margem de lucro no varejo: como calcular (e por que markup não é margem)

Como calcular a margem de lucro no varejo com exemplos em reais, a diferença entre margem e markup, e como perceber quando o custo comeu a sua margem.

"Compro por 10, vendo por 15 — 50% de lucro." Essa conta, repetida todo dia em balcão de mercadinho, está errada. E o erro não é inofensivo: quem acha que tem 50% quando tem 33% aceita desconto que não cabe, segura preço que deveria subir e descobre no fim do mês que o caixa não fecha.

A conta certa da margem

Margem de lucro se calcula sobre o preço de venda:

Margem = (preço de venda − custo) ÷ preço de venda × 100

No exemplo de comprar por R$ 10 e vender por R$ 15:

  • Lucro bruto: R$ 15 − R$ 10 = R$ 5
  • Margem: 5 ÷ 15 = 33%

Os R$ 5 são um terço do que entrou no caixa — não a metade.

Markup: a outra conta (que também está certa, para outra coisa)

O markup divide o mesmo lucro pelo custo: 5 ÷ 10 = 50%. Ele serve para formar o preço a partir do custo ("multiplico o custo por 1,5"), enquanto a margem serve para analisar quanto sobra de cada venda. As duas contas convivem — o problema é chamar markup de margem:

Markup sobre o custo Margem real sobre a venda
25% 20%
50% 33%
100% (dobrar) 50%
200% (triplicar) 67%

Repare que a margem nunca chega a 100% — e que dobrar o preço não é "lucrar 100%".

A margem que sobra de verdade

Da margem bruta ainda saem os custos que não aparecem na etiqueta:

  • Imposto sobre a venda (a alíquota do Simples cresce com o faturamento);
  • Taxa de cartão e de Pix de gateway;
  • Quebra e perda — validade vencida, furto, produto que estraga;
  • Custo fixo — aluguel, energia, salário, sistema.

Um produto com margem bruta de 33% pode entregar 15% líquidos depois dessa fila. Por isso categoria com quebra alta (hortifruti, padaria de produção) precisa de margem bruta maior — não é ganância, é o preço de repor o que se perde.

Faixas de referência no pequeno varejo

Estimativas ilustrativas, só para calibrar expectativa — não existe margem universal: os números mudam com região, concorrência, mix e o custo de cada loja.

Categoria Margem bruta típica
Cigarro 5% a 10%
Mercearia seca (arroz, óleo, açúcar) 15% a 25%
Bebidas 20% a 30%
Frios e laticínios 25% a 35%
Hortifruti 30% a 40%
Padaria de produção própria 50% ou mais

O jogo do mix é esse: o arroz de margem curta traz o cliente, o restante da cesta paga a conta.

Onde a margem morre sem fazer barulho

Margem não some de uma vez — ela evapora quando o custo sobe na nota e o preço fica parado na gôndola. O fornecedor reajusta 4% agora, 3% no mês que vem, e o cadastro segue com preço de três meses atrás.

É exatamente o buraco que a revisão de preços na variação de custo cobre no KiPDV: a entrada de mercadoria pelo XML (plano Completo) atualiza o custo a cada compra e abre revisão quando a margem fica abaixo do alvo — você ajusta ou dispensa, mas nunca deixa de ver. Veja os planos e preços.

Perguntas frequentes

Qual é a fórmula da margem de lucro?
Margem = (preço de venda − custo) ÷ preço de venda × 100. Um produto comprado por R$ 10 e vendido por R$ 15 tem margem de 33% — não de 50%.
Qual a diferença entre margem e markup?
O markup divide o lucro pelo custo; a margem divide pelo preço de venda. Markup de 100% (dobrar o preço) equivale a margem de 50%. Misturar as duas contas infla o lucro no papel.
Qual margem é boa para mercadinho?
Varia por categoria: mercearia seca costuma operar na faixa de 15% a 25%, hortifruti mais alto para compensar quebra, cigarro abaixo de 10%. O que importa é a margem média da cesta cobrir o custo fixo e sobrar.
Como sei se a minha margem está caindo?
Comparando o custo de compra atual com o preço de venda praticado. No KiPDV (plano Completo), a importação do XML atualiza o custo e abre revisão de preço quando a margem fica abaixo do alvo.

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